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Blog de Jacqueline Torres


Academia de Letras

Em 27/04/2015



Escrito por jacqueline Torres às 02h14
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Escrito por jacqueline Torres às 23h33
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FLIPO 2014 - Porto de Galinhas/Ipojuca - PE

Dia 13 (Sábado)

Minha palestra terá como tema: "Literatura: aspecto humano e estético"

17h30 Painel: Literatura e Humanidade

Coordenação: Alexandre Santos

Palestras:

50 anos do Golpe de 1964 - Hiram Menezes

LITERATURA: ASPECTO HUMANO E ESTÉTICO - JAQUELINE TORRES

ObS.: NÃO SERÁ POSSÍVEL A POSTAGEM DE TODA A PROGRAMAÇÃO DOS DIAS DA FLIPO NA PÁGINA DESTE BLOG, POIS EXCEDE O TAMNHO DE CARACTERES, EMBORA EU TENHA TENTADO TODAS AS FORMAS PARA FAZÊ-LO. ENCONTRARÃO A PROGRAÇÃO COMPLETA NO MEU OUTRO BLOG:

www.jacquelinets.blogspot.com.br


 



Escrito por jacqueline Torres às 23h26
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PROGRAMAÇÃO PARA OS 4 DIAS DA FLIPO – FESTA LITERÁRIA INTERNACIONAL DO IPOJUCA – Porto de Galinhas/Ipojuca- PE

Tema: "LITERATURA, HUMANIDADE E SUSTENTABILIDADE"

DIA 11 (Quinta-feira)

Congresso literário

Porto da Palavra: Palco Muru Muru

Curadoria Geral: Alexandre Santos

Coordenação: Rogério Generoso/Adriano Marcena

Mestre de Cerimônia: Vanessa Sueidy

Dia 11 de setembro (5ª feira)

19h00 - Abertura

Pronunciamentos

Lançamento de Selo Comemorativo

Entrega de Placas e Diplomas

Apresentação do Coral da UBE

Palestra de abertura: Luis Serguilha - O difícil como sedução: Escrileitores em mosaicos-movediços: tensões de desleituras emergentes

 



Escrito por jacqueline Torres às 23h13
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FLIPO 2014

DE 11 A 14 DE SETEMBRO (PRÓXIMA SEMANA) ESTARÁ ACONTECENDO A FLIPO - FESTA LITERÁRIA INTERNACIONAL DO IPOJUCA

 

ESTAREI COMO PALESTRANTE NO SÁBADO DIA 13 À TARDE. 

TEMA DA PALESTRA: LITERATURA: ASPECTO HUMANO E ESTÉTICO.

 

 

FLIPO 2014 - Porto de Galinhas/ Ipojuca - PE



Escrito por jacqueline Torres às 22h58
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OLHOS

 

 



Escrito por jacqueline Torres às 02h43
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Fernando Pessoa

 

 Desconheço a utoria da imagem anexa ao texto - Disponível na Web

 

 



Escrito por jacqueline Torres às 02h31
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TRISTEZA



Escrito por jacqueline Torres às 02h23
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ALMA



Escrito por jacqueline Torres às 02h18
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AO 16 DE ABRIL DE 1987

Gravura: Anne-Julie Aubry

Levo 27 anos para escrever sobre aquele 16 de abril de 1987... Quinta-feira Santa, como se denomina. Semana Santa de 87. Não são vinte e sete dias, vinte e sete semanas, nem vinte e sete meses... São anos, longos vinte e sete anos. E tudo me parece recente, porque permanente. Porque está coberto de perpetuidade.  

Ao contrário do que se costuma dizer, eu estava no lugar certo, na hora certa... Porque tinha de ser. Porque minha sina poética talvez tenha encarnado definitivamente naquela noite tão repleta de misticismo. Que voz foi aquela que ouvi em mim? Quem determinou aquele homem cruzar literalmente a minha frente sem que eu lhe visse o rosto, sem que lhe visse os olhos de noite eterna, sem que percebesse sequestrada a minha alma para sempre?

 Depois daquela hora nunca mais meus dias amanheceram... Tornei-me mais crepuscular do que já fora até aquela data. Contudo não trouxe essa noite permanente aos meus dias nenhuma sombra, mas uma voluptuosidade serena, mística, vital a minha parca existência.  Custa-me escrever, mas a lembrança permanece acesa como uma chama inextinguível, escrever é só um sopro de alento ao coração, se é que ainda o tenho. A urdidura da vida teceu um destino aos meus passos, foi precisa e inexorável... Definitivamente, não entramos na vida de ninguém sem um propósito. Só lastimo amargamente que alguns passem tão breve. Mas em mim o que rasgou no peito e fendeu a alma não ficou no calendário num 16 de abril tão distante, foi cesura que alcançou meu cerne, minha escrita, minha mortalidade eterna. Meu para sempre.

 

Jacqueline Torres, em 16 de abril de 2014.



Escrito por jacqueline Torres às 17h28
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Escrito por jacqueline Torres às 17h44
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8 DE MARÇO – DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Foto: Sebastião Salgado

Estava procurando algumas matérias para o dia “8 de março” e encontrei uma avalanche de “coisinhas” tipo: “Mulher símbolo do amor, da graça, da beleza... Mulher é uma joia... uma flor... um encanto... sonhadora, meiga, paciente, encantada...” Até quando vão nos ver como uma espécie de bibelô? Que nos cabe alguns desses atributos, até acho, igualmente, os cabem a alguns homens. Mas por traz desse derramamento de predicativos sedosos e lustrosos estão os conceitos de incapacidade, devaneio, futilidade, material de posse, função utilitária... Penso que muitos homens consideram a mulher com seu devido valor, e são esses que combatem ao nosso lado por direitos iguais e respeito às questões de gênero.

Não creio que excedo no meu olhar, mas pouco vejo de prática na sociedade que contradiga a minha fala. Mulher é de luta! Mulher é resistência! Mulher faz história! Quero estar ligada a predicativos que me reconheçam com a minha força humana de combate e não como uma delicada e delgada flor pendida em um vaso de porcelana.

MEUS PARABÉNS A TODAS AS MULHERES ESCRITORAS, DA PROSA E DO VERSO E TODAS AQUELAS QUE ESCREVEM COM A PRÓPRIA VIDA NA MEMÓRIA DA HISTÓRIA A SUA PROSA DIÁRIA.

VIVA O DIA 8 DE MARÇO! DIA DA MULHER, DIA DE LUTA!

 

Jacqueline Torres – Escritora, membro da UBE - União Brasileira de Escritores – Seção PE e da SOPOESPES – Sociedade dos Poetas e Escritores de Pesqueira/PE



Escrito por jacqueline Torres às 17h39
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Escrito por jacqueline Torres às 00h08
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DAS LÁGRIMAS

 

                                        Arte: Anne-Julie Aubry

 

Em que espaços decaem

as minhas lágrimas,

que tanto tento contê-las

e não consigo?

 

Que espaços profundos

são esses

que todo choro derramado

ainda não deu

no seu limite?


( Jacqueline Torres )



Escrito por jacqueline Torres às 22h46
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OUTROS DIAS

 

 

Imagem da Web - desconheço a autoria

 

Não terei pelos calendários

nenhuma lembrança guardada

pra deixar para algumas

futuras quartas-feiras que virão

Meu nome será leve

e incômodo de dizer

Dito

a brisa soprará mais triste

O vento irá bramir baixinho

Não terei pelos calendários

a cor dos meus cabelos

nem meus olhos noturnos

Meu retrato plasmado de infinitos

de incógnitas e de amores indizíveis ficará.

Ficará pelo filtro da retina distante

e viva eternamente fixa.

Nada saberão de mim outros dias

de meu coração queixoso

de meu séquito de solidão e pesar

que segue

e que segue

lento

pelas vias mal calçadas

de meus tristes versos.

 

 

( Jacqueline Torres )



Escrito por jacqueline Torres às 01h44
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Escrito por jacqueline Torres às 01h36
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PRÓXIMO SÁBADO (12/10/2013) LANÇAMENTO DO MEU LIVRO "COSENDO PALAVRAS SOLTAS" NA IX BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DE PERNAMBUCOÀS 13h40 - PLATAFORMA DE LANÇAMENTOS DA UBE - UNIÃO BRASILEIRA DE ESCRITORES/PEESTÃO TODOS E TODAS CONVIDAD@S!

Escrito por jacqueline Torres às 15h45
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UBE - PE - MOVIMENTO UNIÃO PELAS LETRAS

No último dia 05 de janeiro de 2011, tivemos eleição da Diretoria da UBE em Pernambuco. A proclamação da recondução do Movimento União Pelas Letras à direção foi realizado com a presença da nova diretoria e o discurso do presidente reeleito, o escritor Alexandre Santos.

 

 

Foto oficial da nova diretoria. 

Entre outros poetas e escritores, a poetisa e contista Jacqueline Torres (de pé à esquerda).

Tive a honra de ser convidada a compor a direção da UBE (União Brasileira de Escritores, secção Pernambuco). Os desafios são muitos, o despreendimento para a divulgação da literatura pernambucana, também. Trazer para a cena literária quem ainda não está, avigorar as atividades e eventos realizados pelo Movimento União Pelas Letras é primordial. O trabalho é grande, mas o prazer de trabalhar com literatura é maior. Desejo a todos nós muitas realizações e conquistas para essa nova gestão.
( Jacqueline Torres )

Nova Diretoria da UBE- Secção Pernambuco

Diretoria Executiva
 
Presidente: Alexandre Santos
Vice-presidente: Geraldo Ferraz
1º vice-presidente: Silvio Hansen
2º vice-presidente: Cristiano Ramos
Secretário-Geral: Cássio Cavalcante
1º secretário: Jair Martins
2º secretário: Rachel Carrilho
Tesoureiro Geral: Rosa Bezerra
1º tesoureiro: Rogério Generoso
2º tesoureiro: Vanessa Campos
Administrador Geral: Salete Rego Barros
1º administrador: Marcos Andrade
2º administrador: Jaqueline Torres
 
Departamentos
 
Artes Plásticas: Fátima Almeida
Música: Dulce Albert
Teatro: Altair Leal
Língua Portuguesa: Telma Brilhante
Intercâmbio Nacional: André de Sena
Intercâmbio Internacional: Laura Areias
Promoção Cultural e Eventos: Suzana Moraes
Imprensa: Fernando Farias
Capacitação: Sônia Carneiro Leão
Patrimônio e Acervo: Tavares de Lima
Pesquisa, Ciência e Tecnologia: Antônio Filho Neto
Jurídico: Adalberto Arruda
Direito Autoral: Meca Moreno
 
Conselho Fiscal
 
Titulares: Nonato Magalhães, Paulo Dantas, Bezerra de Lemos, Luiz de Souza Leão, Socorro Costa
Suplentes: Zélia Monte, Edvaldo Bronzeado, Lúcia Sobral, Myriam Brindeiro e José Alves Sobrinho

 

 

 



Escrito por jacqueline Torres às 01h16
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DAS LÁGRIMAS

 

 

                                Cherylene Dyer

 

 

Em que espaços decaem

as minhas lágrimas,

que tanto tento contê-las

e não consigo?

 

Que espaços profundos

são esses

que todo choro derramado

ainda não deu

no seu limite?

 

 

( Jacqueline Torres - 22/07/2010 )



Escrito por jacqueline Torres às 23h28
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O TEMPO DO POEMA

 

 

 Anne-Julie Aubry

 

O tempo escorrega

nas letras do meu poema

e em cada verso

um segundo,

em cada poema

um minuto

E ao fim,

naquele ponto

estou eu

um pouco mais velha

Falta em mim uma lágrima

tenho a mais um soluço.

 

 ( Jacqueline Torres - 09/02/10 )



Escrito por jacqueline Torres às 01h59
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Para os amantes da escrita uma boa pedida é ter bem à mão um bom dicionário, eu, por exemplo, tenho mania de ler dicionário, isso mesmo, ler, às vezes nem pesquiso, leio, vou de um verbete a outro com um prazer de doido que descobriu a roda. Além do tradicional, vou sugerir que acessem o dicionário português online www.dicio.com.br com 400.000 verbetes. É excelente!

 

 

 

Bom, aproveitem bem a sugestão, vale à pena!



Escrito por jacqueline Torres às 16h42
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                       Imagem da Internet

 

UM DIA DEPOIS DO SÉCULO

 

 

Pela rua caminho com os braços às costas

e vou pensando na vida

e nos meus passos leves

                        que afundam mansos na areia...

Agora, nada mais me absorve

nem os astros,

nem as leis, nem a ciência

Apenas uma areia fina e branca

                        que marca em minhas sandálias

as leves e passageiras marcas de meus dedos.

Nesse estirão de rua sem asfalto

                        e de luz opaca

retenho uma lembrança nostálgica do futuro

Mas como reter em si uma lembrança

além da ordem do tempo?

Se lembramos do que passou e pensamos no que virá

Mas o poeta antevê e antecede esse fragmento

E vejo através dos séculos

                        talvez no mesmo trajeto

o mesmo vagar, moroso e quieto

                        do meu fantasma.

 

 

                                                              ( Jacqueline Torres - 08/01/09 )



Escrito por jacqueline Torres às 23h35
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NUDEZ

 

 

 Mystique - Hanry Asencio

 

 

Fico nua quando

                        digo teu nome...

Dizê-lo é como

                        me vestir de brisa,

                        de suave cassa...

 

 

( Jacqueline Torres - 20/10/98 )

 



Escrito por jacqueline Torres às 21h39
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SOMBRA

 

 

                                 Imagem da Internet 

 

Minha sombra não me acompanha ─

ela vai dentro de mim...

Onde sou noturna e queda

Onde adormeço com a alvorada

e desperto com o anoitecer

Minha sombra

obscurece meu silêncio

E meus gestos são asas escuras

que acenam e que suplicam

Meu rosto não revela minha sina

Minhas dores não se revelam no sorriso

Eu passo tão rápido, tão rápido

que mal me veem...

Acham apenas que viram uma sombra

um vulto

Que às vezes surge

que às vezes foge

que hora existe

Mas que aos poucos morre.

 

 

( Jacqueline Torres - 30/05/09 )

 



Escrito por jacqueline Torres às 15h21
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A FLOR E O CHARCO

 

 

 

 Leucojum Aestivum

 

 

Dera eu fosse o charco

sombrio e denso

que das sombras aparentemente mortas

rasga do ventre escuro

um ramo verde adornado

de delicada e alva flor.

 

 

 

 

( Jacqueline Torres - 24/07/09 )

 

 



Escrito por jacqueline Torres às 23h30
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ENQUANTO

 

 

                Tela de Michael e Inessa Garmash

 

Enquanto dormes

Escrevo

Enquanto escreves

Sonho

Enquanto sonhas

Pinto o tempo

Serás sempre dia

Serei sempre noite

Mas um dia, por um instante

sei que fomos

a irregular e imprecisa

fragilidade da aurora,

a mornidade da boca-de-noite...

Mas nosso tempo

não ficou preso nas mãos,

nem no retrato

Nenhum calendário guardou-nos,

passamos

nos ultrapassando...

e enquanto ias pro leste,

fui mais além

Enquanto voavas

por teus céus diurnos

Perdi-me pelo o horizonte

e caminhei mais que as horas...

Estamos tão longe...

enquanto sonhas

eu sonho

Somos feitos da mesma

matéria aérea

E por dentro de nós

uma reticência

fixa nos olhos

um adeus que não terminou...

 

 

( Jacqueline Torres - 16/08/09 )



Escrito por jacqueline Torres às 02h21
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TRAVESSEIRO

 

 

                                                                      Imagem da Web - desconheço a autoria

 

 

 

 

Meu travesseiro pesa.

Afundo nele sonhos estranhos, informes

Tristezas, soluços, rezas

a cama do descanso

é também do desespero

do desterro

na enfadonha preguiça...

Pelas paredes grudam-se

            as palavras do poema

como muriçocas tísicas

Como a leve poeira

que cobre o meu coração cansado.

 

( Jacqueline Torres - 29/01/2009 )



Escrito por jacqueline Torres às 02h57
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INFORME LITERÁRIO

 

 

 

O MOVIMENTO "LITERA PE" TRAZ A OUSADIA PRÓPRIA DAQUELES QUE QUEREM INSUFLAR MAIS ARTE POÉTICA NO NOSSO COTIDIANO, ABRINDO A DISCUSSÃO DA IMPORTÂNCIA DA LEITURA E DO ESPAÇO QUE DEVE EXISTIR PARA TODO AQUELE QUE ESCREVE POESIA, ESPECIFICAMENTE EM NOSSO ESTADO, ASSIM, ESTARÁ SENDO LANÇADO DIA 09 DE JULHO/09 A ANTOLÓGICA COLETÂNEA “ CEM POETAS SEM LIVROS” DA QUAL EU TENHO A HONRA DE FAZER PARTE.

O LANÇAMENTO ACONTECERÁ NO INSTITUTO MAXIMIANO CAMPOS (IMC) – CASA FORTE – RECIFE/PE

TEREMOS RECITAL POÉTICO!

 



Escrito por jacqueline Torres às 15h49
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" O POETA SENTE AS PALAVRAS OU FRASES COMO COISAS E NÃO COMO SINAIS, E A SUA OBRA COMO UM FIM E NÃO COMO UM MEIO; COMO UMA ARMA DE COMBATE."

                                                                            

( Jean-Paul Sartre, filósofo francês, século XX )



Escrito por jacqueline Torres às 16h36
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BELA, COMOVENTE E ETERNA CECÍLIA MEIRELES

"Adestrei-me com o vento e minha festa é a tempestade."

"E minha alma, sem luz nem tenda,
passa errante, na noite má,
à procura de quem me entenda
e de quem me consolará..."

"Aprendi com a primavera; a deixar-me cortar e voltar sempre inteira."

"Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve..."

Cecília Meireles



Escrito por jacqueline Torres às 14h03
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AS MÃOS, OS DEDOS

 

 

 

                                      Pintura - Pino Dangelico

 

Minha mão envelheceu e está cansada

cansada de todas as palavras tristonhas

que é só o que eu conheço

Meus dedos de gravetos

são longos e tortos pelo o meu vício

            infantil de estalá-los

Nunca conseguiram suster os sonhos

            nas palmas de minhas mãos

Minha mão envelheceu e

risca poema decrépito e inútil

Cheio de intolerâncias e pungente

se sobrepõe a mim,

            porque não o determino,

Mas escapa traiçoeiro

entre meus dedos vetustos que

            nada mais vicejam,

só se entrevam longe de minha alma.

 

 

 

( Jacqueline Torres - 26/02/09 – 12h05 )

 



Escrito por jacqueline Torres às 12h48
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MARÉ

 

 

 O Beijo ( Pastel e carvão s/ papel ) - Rudson Under

 

Vem, inunda minha boca

Com tua maré de língua

            espuma de saliva doce

pra aliviar o amargor

que sinto mudo e insulso

Na ausência de beijos que

            venham da alma

e que tragam de lá

esse caudal cristalino

            e estrepitoso

das águas que inundem

            a dimensão de meu corpo.

 

( Jacqueline Torres - 14/01/09 – 3h41 )



Escrito por jacqueline Torres às 11h30
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FESTANÇA

 

                                               Maxfield Parrish - Ecstasy

                            

Vou enfeitar os meus cabelos com flores

e na saia do meu vestido

eu vou fazer um bordado de lua e de estrelas

que tatuarei também pelos meus braços,

no meu dorso, no meu peito

e acenderei um sol no meu ventre

quando desmanchar de mar os meus olhos

que rirão como beija-flor

Vou dançar ao luar

os passos macios de rosas rosas

Vou fazer festa

antes de sussurrar repetidas vezes

aos teus ouvidos de concha

... que te amo...

 

 

( 06/03/09 – 1h13 )

 



Escrito por jacqueline Torres às 22h04
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" Quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores que o silêncio."

( Provérbio Indiano )



Escrito por jacqueline Torres às 17h57
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VERSO TRISTE

 

 

 

              Rafal Olvinski

 

Meu verso

cortei-lhe as asas

e ele ficou

à-toa, à-toa...

Passa peregrinando

nos caminhos

já não voa,

já não voa...

 

 

( Jacqueline Torres - 23/04/09 )



Escrito por jacqueline Torres às 17h54
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QUEM ME VÊ NÃO VÊ DIREITO

 

 

 

 Caspar David Friedrich - Mulher à Janela, 1822

 

 

Meu pé sobre a cerâmica escura

vai marcando compassadamente o andamento

                        da música que ouço

Meus olhos enxergam além da sala,

além da grade da janela,

além da rua,

além,

muito além...

quem me vê não vê direito

E meu semblante sereno

não dá a conhecer

o que medra dentro de mim

A irreversibilidade

                        da paz violada

pelo caminhar moribundo dos dias. 

 

  

( Jacqueline Torres - 21/04/09 – 12h05 )

 

 



Escrito por jacqueline Torres às 16h10
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DEPOIS QUE FALARES

 

 Michael Garmash - Morning Beauty

 

Pressuponho

que serei feliz

pelo curto tempo

em que me disseres “bom dia”,

e então,

logo em seguida

voltarei a ser o que sou,

─ triste...

 

 

( Jacqueline Torres - 23/04/2009 )



Escrito por jacqueline Torres às 15h02
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ALVURA

 

 

              Imagem da Internet

 

 

Perduro teimosa rabiscando

                        bobagens em folhas tão alvas,

tão alvas como o meu antigo sonho

que hoje começa

                        a se tingir de azinhavre.

 

( Jacqueline Torres - 29/01/09 )



Escrito por jacquelinelenin às 04h22
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O JOVEM ARTÍSTA

 

 

                  Julie Hill

 

 

O cabelo de cachos desalinhados

caiam-lhe na testa e nos olhos.

Era esguio e desconforme no vestir.

Achavam-no um vadio,

um desajustado.

Mas eu apenas via

            um jovem e irreverente poeta...

Músico,

artista

Sua alma era maior que ele

Mas todos só viam

            os cachos desalinhados de seus cabelos.

 

( Jacqueline Torres - 09/02/2009 )



Escrito por jacquelinelenin às 03h25
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DECANTAÇÃO

 

 Perfil de Mulher - Óleo sobre Tela - Eduardo Cambuí Júnior

                                           

 

Preciso decantar destes meus versos

o lirismo ébrio e o enfado das palavras

Preciso sincronizar o juízo,

os batimentos do coração

a brevidade de minhas mãos e os meus pés aflitos...

Preciso ser precisa

quando sou em falso

e ao invés do incerto

ser enfática

Conclusiva a um mesmo tempo

que sou dissoluta

E findar estes versos

sem circunlóquio

Fazer seu trajeto

mais exato que meus olhos,

mais circunspecto que minha “singular figura”,

viageira das palavras

            de terra e de vento

Eu preciso não terminar o poema

não terminá-lo...

Só de raiva!

 

 

( Jacqueline Torres - 02/02/09 )

 



Escrito por jacquelinelenin às 02h30
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ENTREGA

  

 

                     Imagem da Internet

 

Deito o meu corpo molemente

sobre o teu nome

Assim como se derrama o óleo

em superfície lisa.

 

( Jacqueline Torres - 07/02/2009 )



Escrito por jacquelinelenin às 02h02
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" A POESIA TEM UM PERIGO DE MORTE... "

( Jacqueline Torres )

Mateu Velasco

 



Escrito por jacquelinelenin às 11h51
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POR ONDE ANDAM TUAS MÃOS?

 

 

                                                   Michael Garmash - By The Shore

 

 

Que facilidade tinham tuas mãos para tocarem a minha alma

e teus olhos para perscrutarem todos os meus sentidos,

descendo pela textura escura e incerta de meus segredos...

 

Onde andam tuas mãos?

Que pétalas, que brisas, que nuvens acaricias?

Que ventos noturnos escondes entre teus dedos?

 

Minha alma está parada numa bifurcação

Tenho olhos imóveis reparando a estrada

            que não vai dar em nada

porque nada devassa o meu prazer

            mais do que o carinho morno de tua boca

a voz de luz antiga que me sussurrava

Que facilidade,

que leveza tinham tuas mãos para tocarem

                        meu coração...

Que cuidado,

            que zelo

                        dissipou vida afora tua afeição?

 

( Jacqueline Torres )

 



Escrito por jacquelinelenin às 05h06
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MEU CANTO - II

 

 Mensagens e poemas

                    Desconheço a Autoria

 

Meu canto de chuva e de água de rio

Meu canto de terra vermelha

de terra seca,

            nutrida de pedra e tempo

Meu canto

            ventania de folhas leves

Chuvisco azul que cai manso

                        em chão morno

                                   de brasa e coração aéreo.

 

( Jacqueline Torres - 14/01/09 )



Escrito por jacquelinelenin às 04h25
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Imagem da Internet. Desconheço a autoria.

A FOLHA

 

 

 

Algo veio de fora

                        com o vento pela janela

Uma folha seca voou

                        e grudou em meus cabelos

E a fragilidade da visita me despertou

                        de escuras poderações sobre a vida,

                        semelhança de luto e lágrimas,

E a folha já gasta

e crendo-se inútil e sem proveito

                        foi despertador simplório e certo

pra arrancar do meu juízo

                        os meus pesares

e da comodidade dolente

                        a minha destra.

 

( Jacqueline Torres )

 



Escrito por jacquelinelenin às 03h01
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 Mágoas Perdidas

BREVE

 

Com que brevidade me fogem as palavras do poema?

São folhas secas muito leves

                        que os ponteiros magros do relógio

                        não sustentam

E o poema não se constrói,

não se firma

é absorto e fugaz

é impreciso...

O vento que sopra meus cabelos

                        faz remoinho das idéias

e assim esfacela-se a frase

Não tenho em mãos uma lista infinda de adjetivos,

de monossílabos... não tenho.

Com que brevidade me chegam aos cutucões

                        os versos que volitam por minha cabeça

                        e que me escapam pela fresta da boca como oração?

Com que brevidade me vejo indiferente na rua

                        e dentro do cotidiano monótono dos meus dias?

Com que brevidade vivo e passo, e passo

                        pela vida?

 

 

( Jacqueline Torres - 20 – 21/06/06 )

                       

 



Escrito por jacquelinelenin às 19h50
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Poema

 

by Isabel Moreira

REBELAR-ME

 

Não tenho como me saber...

Quando vejo que no reverso do espelho

                        apanharei minha imagem,

lépida e irônica me escapo!

É sempre uma esquina onde dobro

é sempre no pulo outro ar de riso

e eu sigo num redemoinho

                                    impreciso

tentando me alcançar

            e nunca alcanço

Não tenho como me saber...

Só tenho como parafrasear

                        meu espanto.

( Jacqueline Torres )



Escrito por jacquelinelenin às 03h20
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VOCÊ EM MIM

 

Evola-se tua

            imagem em mim

assim

como a fumaça

            se dissolve

            e se envolve

calmamente

            à lenta e cândida

                        nuvem...

( Jacqueline Torres )



Escrito por jacquelinelenin às 01h15
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Diário, página 6 - Diários P&B - Julia Vaz

Nanquim: Julia Vaz

PARA LER POESIA...

A Josiel Galvão

 

Precisamos ler poesia

como se revolvêssemos terra escura

                        para deitar nela as sementes da rosa mais delicada

Amaciar o terreno com mãos puras

e depois,

            sentar serenos em uma pedra

e esperar compassadamente

a leveza da chuva

                        azul de luz e morna de cristais

para orvalhar

                        mansa e fecunda

a profundidade da semente adormecida.

E só os corações abertos podem empreender esse ritual

só os corações com asas podem encerrar

                        esses mistérios que cantam

                                    no poema e no seio da terra.

 

( Jacqueline Torres - 15/01/09 )



Escrito por jacquelinelenin às 16h15
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UM CANTO PRA MORTE

 

Não será ameno o meu canto

quando a morte voejar minha cabeça

terei nos olhos riachos, não, rios de pranto

e pela face a marca funda da tristeza.

 

Meus poemas serão amargos e sombrios

não terei cantos leves e suaves, abissais

Não terei nada,

além de uma profunda certeza

que parto,

            que deixo os que amo

─ nada mais.

( Jacqueline Torres )



Escrito por jacquelinelenin às 12h51
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                Desconheço a Autoria

O VOO 

( A Wallace Wandayk )

 

Minha alma

            voou, voou

além das nuvens

acima das flores temporais

Só quem voeja

            me acompanha o voo

Pois quem rasteja

            não me alcança mais.

 

( Jacqueline Torres )



Escrito por jacquelinelenin às 02h49
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 Insônia - Mateu Velasco - Mateu Velasco    

Serigrafia: Mateu Velasco

CONSPIRAÇÃO

 

Tenho insônia ─

e a hora tem gosto de soro.

Riso e tristeza

            misturam-se no tacho velho do meu peito

O coração azinhavrado sopra a brasa castanha

            dos meus olhos

Acesos, conspiram contra mim

Vou calculando o passar preguiçoso

            dos minutos

            na nulidade do tempo

Só olhos encovados

            guardarei para a manhã

            desejos proibidos

            e vontades tortas

pra secarem

            durante um dia sonolento.

( Jacqueline Torres )



Escrito por jacquelinelenin às 14h33
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Fotografia: Luiza Helena de Jesus

A PRAÇA

 

A praça está vazia

a grama assanha-se com as folhas secas

Não há casais namorando

Não há crianças brincando

A praça está vazia

Vem visitá-la apenas os pardais

e a chuva que vem sentar-se nos seus bancos

e o vento que continua eternamente soprando

            desalinhando a cabeleira das árvores

e enchendo de folhas secas o assanhado da grama.

 

( Jacqueline Torres - 12/12/08 )



Escrito por jacquelinelenin às 14h23
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OS SONHOS E OS CARROS

 

Os carros passam velozes

                        ao meu lado

Vejo que meus sonhos

                        vão no trote urgente de suas rodas

Só os meus pés

                        caminham

 na lentidão

                        de um burro velho e cansado.

 

                         ( Jacqueline Torres )




Escrito por jacquelinelenin às 14h13
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PENSA

" HÁ QUEM PASSE PELO BOSQUE E SÓ VEJA LENHA PARA A FOGUEIRA. "

                                    ( Tosltoi )

" Nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir. "

                                   ( Sêneca )



Escrito por jacquelinelenin às 14h07
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MEMÓRIAS

 

Ouço o cacarejar calmo das galinhas

            num dialeto antigo e infantil

Tem cheiro de fumaça de lenha e de colchas de retalhos

Água doce e gelada despertando do sono morno

            descendo pelo o lajeiro

            sumindo no barro do chão onde morre.

O galo que canta hoje

parece-me fugido de um tempo bem distante

da efervescência de minhas felicidades

E o tesouro das lembranças reluz tão intensamente

                        que chega a queimar o peito

e pouco posso dividi-lo com os meus...

Manhãzinhas douradas cheirando a café preto coado

                        com bolachas brancas

Manhãzinhas com gosto de jabuticabas pretinhas

                        enfeitando os dedos, as palmas das mãos...

O crespo dos lajeiros,

                        o alastrado, os mandacarus...

De novo o cacarejar contente das galinhas,

                        o bem-te-vi...

A distância os braços quentes de minha avó

São tão quentes como minhas lágrimas solitárias e passageiras,

                        assim como eu mesma pela vida ligeira

                        que me transporta pelos dias

pra dias que hoje me parecem paises distantes

pra terras em que não hei de voltar...

Sonhos de doce de leite

                        despertos, ora vejam,

                                   pelas galinhas...

( Jacqueline Torres - 01/08/07 )



Escrito por jacquelinelenin às 14h03
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POEMA

DE TRÁS PRA FRENTE - MÕMON, MAMÁ E BOBÔ

 

Se eu digo poeira de estrelas de um,

digo da outra e do outro

Digo luz do sol

Imensidão de mar

E como o imenso universo

desconheço a dimensão do amor

     de um, da outra e do outro

Pores de sol nas retinas

cor de lua nos sorrisos

e vejo a eternidade temporária de minhas células

     noutra forma

E tudo tem grandeza de mistérios

     e simplicidade de chuva

E minha retina vê-los e revê-los e trevê-los

     e tudo de novo

sem me importar com essa cadência

sem queixa de sentir os cheirinhos macios,

o som das risadas,

as birras,

as vozes, os gestos...

No peito cabe todo o tempo

O tempo é vê-los e tocá-los

e nada é suficiente para amá-los

Sereno de madrugada

manhãs de sol de verão

espuma morna do mar

E a eternidade concentrada no que me eterniza

a doce

     e tépida

               e macia palavra...

                     Mamãe.

( Jacqueline Torres )

 



Escrito por jacquelinelenin às 10h57
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POEMA

                        Arte: Celito Medeiros

PEDIDO DE DESCULPA

 

Peço-te perdão

                    pelo o que te fiz

                    e pelo o que não te fiz

Peço-te perdão

                    por meu silêncio, minha reticência,

                    meu olhar inconcluso

                    minha distância de estrela

                    minha brevidade de raio

                    minhas sombras de noite

Peço-te perdão

                    por mim e por você

Sou imperfeita,

                    afeita às estradas

a uma solidão perdida na multidão

presa às horas

e a minha prática lírica e reticente...

Perdão por seres tudo o que és

                    e eu ser só o que sou.

 

( Jacqueline Torres )

 

 



Escrito por jacquelinelenin às 10h39
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POEMA

E eu que tola fechei as portas

e cerrei as janelas

e me guardei no último quarto, na última sombra

e cobri-me com a monótona manta da conformidade,

                   opaca e muda...

E viestes e abristes habilmente uma lasca em minha janela

e precipitastes cheio de luz o meu recinto

e relutei em ver a luminosidade doce que incendiastes no meu peito...

Tola relutei,

na teima assustada do descaso

Enveredastes pela janela e me fizestes o claro de espinhos

                   e flores espalmadas, no silêncio guardado

de minhas palavras gritantes e que as escondia de mim.

Enveredastes por minha janela

e de lá invadistes o território seguro de meu peito,

                   com teu olhar quimante

                   com teu riso de água.

E eu prendo-me agora no que escrevo

e esmoreço vendo a casa invadida de luz

e planto minha roseira ao pé de um vulcão

e alimento-a com lava e seiva rósea

Tola não me dou conta de que me nutro de uma fogueira...

E construo o meu poema

                   somente se tu me vens.

                            ( Jacqueline Torres )



Escrito por jacquelinelenin às 11h55
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POEMA

CAMINHO

Giselle - Tela - Michael Garmash

Ando um pouco entristecida com a vida

um pouco zonza,

um pouco falha...

À sombra das duas décadas e meia

                              me despeço

quando trago de longe o peito escuro e solitário

Não transcendo

não vôo, não caminho

Ando abstraída e indefinida

sozinha, triste e taciturna

Um pouco desacreditada

um pouco insana.

Quanto mais ando

                    mais me perco

quanto mais aspiro, mais esmoreço

Vem-me o mesmo desgosto

a mesma ironia -

e já não sou feliz.

Não serei mais.

Acostumada ando com estas sombras,

                             estes fantasmas

essa tristeza intrínseca e permanente.

Esta miséria costumeira - meu pesar.

ando um pouco enlouquecida

um pouco inerte e ainda humana

um pouco imóvel, um pouco de muitas coisas...

À sombra destas duas décadas e meia de delírios

                   não me sobra nada,

além de mágoas e de tristezas

Um pouco de martírio

e muito de adeus.

( Jacqueline Torres )

 



Escrito por jacquelinelenin às 10h09
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POEMA

NOTURNA

         Enlarge Photo               

Sou vigia da noite

sou coruja

          que vela noites de escuro

Sou rasga-mortalha que assombra

que assombra as sombras da noite

Sou guarda-noturno de quartos,

          de quartos pálidos,

          de quartos que pulsam...

Sou voz enfadonha de relógio

          e o inaudível pulsar cardíaco.

Sou a última estrela que sai -

          a primeira que foge

a estrela cadente que passa efêmera

          na noita que cai.

Sou vaga-lume das sombras dos arvoredos

da copa escura das árvores dos quintais...

Sou vigia da noite...

e vago como os fantasmas

esmiuçando os minutos

brincando com os ponteiros,

velando o sono dos outros.

Sou da noite, não do dia

Sou da lua, não do sol

Sou noturna como o mistério

Sou silêncio...

Sou como a hora arrastada

Sou como a noite,

          tão só...

( Jacqueline Torres )



Escrito por jacquelinelenin às 09h48
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POEMA

 

AO DEZESSETE DE SETEMBRO

 

O silêncio que marca os quadrantes

que ponteia o resumo das horas,

faz de mim ainda mais delirante

faz de mim recordação e silêncio...

Reminiscências felizes, outras dolorosas

no silêncio que marca os quadrantes.

 

Pouco a pouco escapole esta tarde

airosa, nostálgica, casual e esquecível

nesse quieto desassossego tangível

outras horas inda mais inquietantes.

 

As flores da infância apagadas

O sonho que passa, que passa

no silêncio que marca os quadrantes.

 

Os castelos que descem às sombras

nesse ritmo repetido que traça

os minutos que tangem as horas

de outra primavera vã, deprimida

vou ficando ainda mais nos instantes

mais antiga, mais densa e esquecida.

Tudo isso que arroja os sentidos

e que segue meu passo - incessantes

são as sombras dos dias que passam

que escapolem na brisa que corre

que entristessem essa alma que morre

no silêncio que marca os quadrantes.

(Jacqueline Torres )

 

 



Escrito por jacquelinelenin às 13h55
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http://br.youtube.com/watch?v=-rzoGIuwgHk

O VÍDEO acima complementa o poema abaixo.



Escrito por jacquelinelenin às 12h36
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POEMA

 " Quero tecer nos teus cabelos

            folhas suaves de outono

em manhãs claras e perfumadas

            perfumadas como as tuas mãos cheirosas de amor

Quero tecer teus olhos

           no colo de meu vestido

e te cingir ao peito como tatuagem,

           aragem

                    fagueira e morna

que balança os meus cabelos.

Quero deixar meus passos

            emparelhar os teus

caminhando para o infinito

            azul e leve

de dias que pareçam sonhos...

De sussurros que pareçam vento.

Quero tramar meu nome no teu

            e fazer um bordado repleto de estrelas e de delírios

            e depois plantá-lo em terra roxa e úmida

e esperar os pomos além dos amanhãs

            que não nos guardarão... "

( JACQUELINE TORRES )

 



Escrito por jacquelinelenin às 12h23
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POEMA

"Que angústia insuportável

              marca o silêncio que precede o poema

Que luta desonesta entre minha destra

              e a palavra.

O verbo é cortante

              feito uma faca.

E o atropelo da escrita parece um vaso de óleo

              encharcando o vazio da folha...

Que angústia insuportável marca o momento

              dessa aflição que espeta o juízo

                       no silêncio que finda o poema".

( JACQUELINE TORRES )

 



Escrito por jacquelinelenin às 18h42
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" DA VIOLÊNCIA DO RIO QUE TUDO ARRASTA

             SE DIZ QUE É VIOLENTO.

MAS NINGUÉM DIZ VIOLENTAS

AS MARGENS QUE O COMPRIMEM. "

( Bertolt Brecht )



Escrito por jacquelinelenin às 18h22
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POEMA

Poemas: 1

Escrito por jacquelinelenin às 14h08
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CONTO

Foto: Francisco Souza

 

AMPLIDÕES

 

 

 

 

 

Escorou-se no vão da janela aberta pro fim da rua. Para os casebres que pelejavam em existir na sequidão da fome e do chão seco forrado de basculho e cascalho. O chão das vias sem fim. Espiou vagarosamente com os olhos estreitos abraçados pelas lágrimas, visões passadas. Dias que ficaram lá para trás. Em ontens muito distantes. Em saudades sem cores. Em dissabores e penas tantas.

Valdirene via o giro alumiante e cegador do solão lá no alto, engolindo as sombras magrinhas e assustadas. E, antigos malassombros faziam munganga na vaporização que tremia. Que confundia a alma. Valdirene retornava ao tempo com seus pais. Tempo de desabrocho, de vontades e de sonhos puros. Tempo que a dementice negava desilusão e nas asas dos sonhos idealizava exílios para o coração. Longe, bem longe daquele fim de mundo onde o Cão perdeu as esporas.

Era ainda menina quando os sobejos do peito lhe atazanaram a paz. O juízo fazia corrupio no quengo e ela se julgava adoidada. Não lhe parecia que alguém imaginasse a vida como ela. Despanaviadamente.

Pôs-se a se encantar, por qualquer desgrama de homem que a cegueira lhe traçasse perfil de príncipe...

 

O São João era chuvoso. A fogueira ardia com dificuldade sob a librina teimosa e Valdirene fincava no tronco verde da bananeira faca virgem comprada na última feira. Olídia lhe acompanhava. Avalizava a besteira. O pai reclamou o passeio sem cabimento e sem proveito às bananeiras do oitão da casa aquela hora. Debaixo de chuva, inda mais.

Tudo era merecedor do sacrifício. A superstição traria a sorte do nome de seu homem.

 

Se aquela era a letra, ou era letra, desconfio. Mas, Valdirene e Olídia enxergaram na mancha leitosa na lâmina, um S... Traria a graça Sebastião... Salustiano... Severino... Silvano, Olídia achou mais provável. Era nome mais vistoso e moderno, mais do que esses nomes encontrados em almanaque do Biotônico, Sadol, ou sei lá mais o quê. Valdirene se ria toda. Já quase via o dono do nome.

 

Correu os dias e uma rezadeira forte lhe botando fora os olhados da lindeza que a natureza lhe despojara na pequena figura, espiou-a bem dentro dos olhos. Escorou no quadril largo a mão cheia de anel de acinique, pendendo um molho murcho de alecrim e preveu com voz fanhosa. Deitou fora sua sina. “O homem que lhe teria de conquistar era alto. Forte. Vinha de longe”. Perguntou de onde. A benzedeira não podia também ser tão direta. Assuntar com as fontes divinas que lhe mandavam as informações de onde vinha o fulano não era de acordo. Mas via uma letra de nome, pela luz que a Virgem Imaculada (Madrinha de pia de Valdirene) lhe pusera nas vistas. “Era um A!”. Um A? Ôxi, e o S da faca? A benzedeira neta de cigano enfezou-se. Não era cega. Afirmou a letra. Tal qual a cangalha dum bode. “Vejo tu im vistidura alvinha alvinha. Sem pinura, sem grião, sem sufrimento. Percure, mia fia. O moço tá de espera. O Raivoso num há de te pô mau insejo nem dificulidade nesse casório.”

 

Mais tarde um cego cantador, garrado de sua viola no afã de uma esmola, cantou-lhe um mote: “É a beleza dos amor de te sorrir, nesse mundo largo só de fulô singi teu camin cum custura de fogo, cum moço caboco qui longe num tá, mas ali, bem perto de ti, morena bunita.” Êita véi cego da gota! Via-lhe a boniteza com os olhos no breu. Depois dos trocados ganhos de Valdirene ainda emendou: Ele tá bem à mão, pertinho, pertinho. Danousse! O diabo do cego dizia coisa diferente da rezadeira. Em quem acreditar? No coração.

Deixou-se esquecer das profecias. No mesmo dia enfeitou-se de ruge, um vestido com uma lapa de bordado que tomava o peito todo. Bico por tudo que era canto. Atrás das orelhas, nos sovacos e no meio dos peitos derramou um frasco de perfume forte e abriu para a Procissão da Virgem da Conceição, sua Madrinha. Era, então, dezembro. A cidadezinha festejava a sua querida Padroeira.

E o destino estava de bote armado. Um quixó colocado bem embaixo de suas ventas.

 Na maior risadagem com Olídia, virou na roupa domingueira dum sujeito um copo de cajuína. E o coração gemeu vendo os olhos do cabra sarará a sua frente.

Não era alto. Não viera de lugar mais distante do que o Sítio das Coité. Não era vistoso. Não trazia sua graça escrita com S ou A, como previu a faca e a rezadeira. Genilson era nome de Pia. Escolhido pela mãe. Nem nome, nem alcunha assinava o portador. Era analfabeto de pai e mãe. Ignorante e desavisado pra vida, nunca vira futuro em estudar. Se bem ou mal comia, o resto era coisa que não lhe fazia falta.

Jogou gracejo, acerou a atenção de Valdirene e, aluada, feito quem se ver presa num redemoinho, caiu na emboscada que o cabra armara na vozinha fonhem. A bandinha executava um dobrado e Valdirene dobrava as esquinas e debandava no destino.

 

O pai lhe pôs tocaia. Distratou-a de cachorra doida, de quenga, de nome feio que arrepiava cabelo de beata. A mãe teve um passamento. Os irmãos queriam lhe dar uma surra de vara. Duas irmãs viraram-lhe a cara. Era uma vergonha! Nem Olídia quis mais conversa com ela para não ficar falada.

O juízo de Valdirene friviando na trovoada da paixão nem deu importância com o esbandalho da família.

E seu Estevão para não acoitar o desmantelo da filha mais nova pensou em enxotá-la de casa. Ameaçou. Talvez intimidasse a doida e ela deixasse aquela trepeça. Cachaceiro infeliz!

Perdeu o tempo e a saliva. Valdirene ganhou a noite e foi para os rela-buchos onde quer que houvesse um. De um deles não voltou. Genilson socou a miserável que vivia com os dentes no quarador, dentro da casa da mãe. Onde comem dez, onze comem também. Casamento era coisa sem futuro. Era só se amigar e pronto! Se Genilson queria assim, assim faria. Amigou-se.

Os dias eram de cantiga. Genilson não bebia. Era só de xamego a vida de Valdirene. Passou a nutrir uma raiva de doido pela própria família. Corria para não peitar com um deles em dia de feira. Mesmo a mãe não lhe inspirou compaixão. O pai? Queria vê-lo seco numa cama. Os irmãos? Três defuntos sem enfeite comendo terra. E as irmãs que se danassem para o inferno. A sogra era a mãe que precisava. O magote de cunhado que tinha, sua família. A mundiça estava de canga e corda com Valdirene.

Espiava agora, da janela lembrando dessas coisas. O sol torrando o mundo e o juízo doido vendo sua mãe dançando um coco com seu pai e a rezadeira. Até sua sogra defunta feia que só ela, batia o pé no chão dando pinote com os seus defuntos risonhos. Chorava então, feito criança. Reparava o céu tão azulzinho querendo perder de vista aqueles malassombros que lhe incomodavam e quando os olhos caiam no terreiro de novo lá via os defuntos velhos brincando de roda com seus quatro filhos mais novos. Lá no canto, debaixo do mulunguzeiro avistou Maria Ivanise de quatorze anos e uma barriga de cinco meses. Os olhos perdidos muito longe no fim da rua. Era analfabeta tal qual o pai. Só não trouxera a voz fonhe do traste. Mas, até o cabelo era ruim.

Espiava a filha, triste, enquanto se pensava avó d’algum pobrezinho que o pai dera no pé depois de desgraçar aquela criatura. Se não fossem as cachaças de Genilson entocando dentro de casa todo tipo de malfazejo. Se não fosse desprovida de juízo Maria Ivanise desde que lhe aparecera os peitos de pitomba... Se não tivesse sido criada dentro da casa da avó com aqueles arranca-rabos da mulesta... Se não tivesse sido ela doida demais se acoitando com aquele cabra sarará que lhe parecera o céu e que se tornara o seu inferno... Se...

A alma penada de sua mãe, agora lhe olhava triste, triste de dar dó no coração e a sogra fazia munganga feito o Cão Tinhoso. Os malassombros deixaram de dançar coco e só a rezadeira filha de ciganos ficou rodopiando feito redemunho e dando gaitada dela.

O céu lhe pareceu pouco e a vida curta feito a saia de Maria Ivanise. O coração lhe pareceu imenso e a alma tão grande que lhe escapou pelas ventas e misturou-se com o cheiro da terra com o vento que zumbia nos panos das saias das defuntas e na aba larga do chapéu do finado Estevão.

De repente aquele furdunço teve fim. Chegava aos tropicões vindo sabe lá Deus de onde, Genilson. Xoxo feito um pinto com gogo, bêbado e acabado. Parecia um velho maltrapilho. Chutou o cachorro da casa e berrou um monte de besteira com o animal. As crianças brincando de roda no meio da poeira nem se espantaram com a chegada do pai. Era assim, todos os dias...

 E, da janela Valdirene via sua vida em retalhos, soprados por uma ventania perder-se pelas amplidões de seus remorsos.

 

 

 

 

 

 

(06/09/00 – 20/03/05)         



Escrito por jacquelinelenin às 12h10
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PENSAMENTO

" NADA DE GRANDE SE FAZ SEM PAIXÃO".

( Hegel )



Escrito por jacquelinelenin às 16h21
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PENSAR

" AQUI TAMBÉM ESSA DESCONHECIDA

E ANSIOSA E BREVE COISA

         QUE É A VIDA. "

( Jorge Luis Borges )

         



Escrito por jacquelinelenin às 16h18
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POESIA

" Então pintei de azul os meus sapatos

Por não poder de azul pintar as ruas

Depois, vesti meus gestos insensatos

E colori as minhas mãos e as tuas. "

( Carlos Pena Filho )



Escrito por jacquelinelenin às 16h15
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CONTO

O NOIVO

 

 

 

 

 

Flora levou oito longos anos para decidir casar com João Silva. Relutou até que não lhe foi mais dado o direito, nem motivo de recusa.

Deleitou-se com as amigas mais íntimas, Inácia, Gorete e Fidélia, e lá pelo sexto copo de vinho declarou não suportar o noivo. Principalmente o rito que ele tinha no olho direito sempre que sorria. Chafurdou a imagem do pobre diabo e riu-se à larga da vontade na companhia das aliadas. O chá-de- panela foi a justificativa para a bebedeira. Se ganhou seis lembrancinhas, ganhou muita coisa. Mesmo porque, não se fazia necessário, já que João Silva vinha comprando de um tudo, desde a terceira semana do namoro, quase uma década atrás. Algumas coisas haviam desvanecido da moda, é verdade, tanto foi o tempo, porém, ele possuía todas. E, sem ajuda ou opinião da noiva, que por isso não tinha o menor interesse, montou toda a casa. Considerando que, não aceitou, mediante seu orgulho de provedor, nem casa alugada, nem quarto amplo junto dos sogros. Construiu uma boa moradia na parte elevada da cidade, e colocou o quarto de casal virado para o nascente, já que à noiva pouco importava sua localização. Pintou a casa de azul e se tivesse pintado de rosa, amarelo, verde para homenagear Machado, ou qualquer outra cor, nada Flora teria dito. Angustiava-se o pobre infeliz, todavia, na cegueira da paixão, do amor arrojado que sentia, relevava: “A tensão pré-nupcial é que a deixa assim... Ela tá adorando tudo!” Dizia ele aos familiares e amigos. Inácia, Gorete e Fidélia trocavam olhares quando o escutavam falar essas coisas. Davam risinhos e cochichavam entre si.

 

Nem marcara o relógio vinte e duas horas, João despediu-se de sua noiva no portãozinho do jardim. Algumas horas apenas, separavam-no da esposa. Não conseguia imaginar que às dez horas do dia seguinte estariam abençoados pelo Santo Sacramento do Matrimônio. “Ela precisa descansar”. Dizia o mesmo. Pois, assim como ele, ela devia estar excessivamente tensa. Julgava ele. Somente. Um beijo ligeiro, feito quem está perdendo o trem, feito quem se despede de quem não se conhece direito, foi tudo. Todavia, João conformava-se sempre: “Era a tensão!” Anos a fio aqueles afetos insossos... Mas, “era a tensão!” Pensava.

Flora ficou olhando o homem indo embora, quase correndo pela calçada.

─ Ôh lástima! Resmungou e entrou para casa.

 

O dia amanheceu dourado. Pardais fazendo festa trilavam em alvoroço na alta cumeeira da casa, nas janelas, nos arbustos do jardim. O pai da noiva lavava o rosto recém-barbeado, na água gelada e em bacia de ágata no alpendre do quintal. Parentes espreguiçavam-se nas camas. Passavam a ferro peças de roupa. Engraxavam sapatos... Tudo parecia ter ficado para o último instante. E a noiva? Coitada, cansada, ainda dormia! Nada de desespero! Aconselhava uma tia solteirona. Tão logo ela acordasse em pouco tempo ficaria arrumada. Gente para ajudá-la era o que não faltava. Vinte minutos de tolerância, foi o tempo dado pela mãe ao sono de Flora.

Era hora de acordá-la! Contados os minutos no relógio com testemunhas presentes, bateu pancadinhas leves à porta do quarto e anunciando a sua presença, a mãe empurrou-a abrindo.

A cama estava feita. Lençol estendido, liso, liso. Repararam o quadrado do aposento. Caso não estivesse trancada no guarda-roupa ou dentro do baú, Flora não se encontrava ali. Virgem Santíssima! Teria ido dormir com o noivo como fizera a filha de dona Guilhermina?! A mãe sentiu uma zonzeira. Corre daqui, corre de lá, procura por dentro de casa, no quintal e em cinco minutos havia se instaurado um caos. Já batiam à porta das casas dos vizinhos que não seriam convidados para a festa. Alguém levantava da cama, Inácia, Gorete e Fidélia atrás de notícias da noiva. O alvoroço era de causar dó. A mãe lastimava: meia hora antes das dez, Joselino, grande amigo de João e padrinho de casamento, chegaria para levar a noiva à igreja. E, onde estava a noiva?

 

A cozinha havia parado a produção para o almoço. As carnes temperadas em panelas fundas, deixavam a fervura. Os tachos com arroz e macarrão, abandonados sobre a enorme mesa da copa fazia ver apenas um detalhe do que se tornaram os preparativos para o grandioso almoço que sucederia a cerimônia. As cozinheiras tiravam o Terço pedindo, já, os auxílios do Céu através de santo forte, Santo Expedito... Santa Rita de Cássia... Santo Antônio (o santo das coisas perdidas)... Onde fora parar a noiva?

 

E para pôr fim ao desespero da família, chegou estabanado o noivo, avisado por terceiros do sumiço inesperado de Flora. Igual a um pé-de-vento, atravessou a casa abarrotada de gente que reclamava uma solução àquela espantosa situação. Precisava ver com os próprios olhos o quarto da sua noiva. Crer no que lhe diziam os “futuros” sogros, pois até aquele instante nada fazia sentido para ele.

Assim como entrou na casa, entrou no quarto. E, foi de desolação o aspecto da cama com o forro tão esticadinho. Se ao menos estivesse amarfanhado... Contudo, o que os outros pares de olhos não viram os seus olhos aflitos encontraram. Junto à cabeceira da cama, um pequeno envelope. Deu de garra do mesmo e nem conseguiu abrir, rasgou-o. Uma folhinha de papel de seda esmeradamente dobrada, traspassava a bela caligrafia da noivinha. Abriu-a com o temor dos condenados diante do cadafalso...

 

“Imburana, 12 de outubro de 1982. Mais abaixo: Caro João Silva, É com extremo pesar que lhe faço sabedor de minha decisão. Já pensada e repensada há um bocado de tempo. João, num é que eu lhe queira mal não, mas é que eu acho que eu e tu num dá certo se casando. Estimo dona Filó vossa mãe, e estimo ainda a alma do finado teu pai que Deus o tenha no reino da glória. Sei também que botam gosto no nosso casório, os meus... Nesse ponto, João Silva já tremia as mãos, pálido e de olhos arregalados: Mas, num lhe tenho tanto bem pra ser sua mulher, assim, pedindo que você João, me entenda e num me leve a mal, vou me embora de Imburana com Joselino que é pessoa de sua confiança e de seu gosto. Sem mais para o momento, desejo a você João, felicidade. Flora Aguiar Pinto.” A folha amassou-se entre os dedos descorados do homem. O rosto ficou rijo e ele foi-se embora assim como chegou. O que foi?! O que ela escreveu no papel?! Pra onde ela foi?! O que está sucedendo, minha gente?! Perguntas que ficaram sem explicação. João nada disse a ninguém.

...........................

 

Vendeu tudo o que tinha na casa, inclusive a casa, e tomou de cachaça.

 

Três anos depois, uma carta de Flora com carimbo de Pirapora do Bom Jesus, comunicava à família que era viva ainda, que tinha três meninas e que Joselino comprara um caminhão. E, João? O que era de João? O remorso ainda lhe tirava o sono vez ou outra... Por isso queria saber dele.

Sabendo da missiva, o ofendido angustiou-se ainda mais: Pois bem, disse a quem lhe dera as notícias da antiga noiva, aquela miserável num há de dormir é mais dia nenhum na vida! Vaticinou. Cuspiu no chão do botequim e foi-se embora cambaleante.

 

Na manhã seguinte, sua velha mãe encontrou-o duro e gelado ao lado de uma garrafa de aguardente, vazia, e de um pacote de veneno de rato... Os dedos férreos sustentavam o copo, rígidos, como sustentaram naquele dia a carta de Flora.

 

 

 

 

 

 

 

(Jacqueline Torres)



Escrito por jacquelinelenin às 16h12
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Poesia

Grandeza de Flor

" PERCEBO DOLOROSA E TÃO RIDENTE

               QUE SOU EU

                      MAIOR QUE A VIDA

E NÃO SOU NADA."

                    ( Jacqueline Torres )



Escrito por jacquelinelenin às 15h40
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FRASE

" Nada envelhece tão rapidamente quanto a felicidade".

            ( Jean Valjean - Os Miseráveis )



Escrito por jacquelinelenin às 15h38
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"Eu pronuncio teu nome

                    Nesta noite escura,

E teu nome me soa / Mais distante que nunca

Mais distante que todas as estrelas/

E mais dolente que a mansa chuva."

                     ( Frederico Garcia Lorca )



Escrito por jacquelinelenin às 15h35
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POEMINHA

"EU QUERO UM COLO ARDENTE,

               UMA VOZ PUNGENTE

QUE ME ENGULA O OUVIDO

QUE ME SUSTENHA AS MÃOS

               QUE ME PREENCHA OS VÃOS

DO MEU CORAÇÃO SOFRIDO".

              ( JACQUELINE TORRES )



Escrito por jacquelinelenin às 20h02
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POEMA

Como dói o amor!

Como dói viver!

Eu quero ser nuvem

quero ser brisa...

             pra logo deixar de ser

pra passar serena e lépida

             e não sofrer mais

desaparecer aos poucos como fumaça

sem deixar rastro

sem deixar lembranças...

 

Como dói o amor...

Como dói...

              ( Jacqueline Torres )



Escrito por jacquelinelenin às 19h56
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POESIA

"Pensava em ti nas horas de tristeza,

Quando estes versos pálidos compus,

Cercava-me planícies sem beleza

Pesava-me na fronte um céu sem luz.

Ergue este ramo solto no caminho.

Sei que em teu seio asilo encontrará.

Só tu conheces o secreto espinho

Que detro d'alma me pungindo está."

                    ( Fagundes Varela )



Escrito por jacquelinelenin às 19h40
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FRAGMENTO

A JACA

A MENINA ENTROU NO ÔNIBUS E, TRAZIA UMA JACA ABERTA EM BANDAS.

OS GOMOS SUMARENTOS, PORÉM BRANCOS, INCENSSARAM AS MINHAS VENTAS. E MEU JUÍZO PÔS-SE A FERVILHAR O SÍTIO DE MEU AVÔ PATERNO, CAÇANDO PEDAÇOS DE LEMBRANÇAS

              QUE HAVIA ARQUIVADO NO PEITO

E QUE TINHAM AQUELE CHEIRO DE JACA,

E A BRANCURA DAS SAUDADES.

JACQUELINE TORRES



Escrito por jacquelinelenin às 16h05
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" SE A VONTADE DE ESTAR CONTIGO ME DIMINUISSE AOS POUCOS,

NADA MAIS SERIA... NEM UMA SOMBRA... "

        Jacqueline Torres



Escrito por jacquelinelenin às 15h52
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" AFINAL,

O QUE É ESSA EXISTÊNCIA

               FUGAZ E FRÍVOLA?

UMA EXCLAMAÇÃO!

UMA RETICÊNCIA...

               UM PONTO FINAL. "

 Jacqueline Torres 



Escrito por jacquelinelenin às 15h49
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PONTO FINAL PRO POEMA

"Meu querer errante

        tem a mobilidade dos ciganos

e nas palmas das mãos

trago o trato e o descompasso

        de minha alma feminina.

Meus desejos sem destinatário

        acumulam-se por dentro do peito

e vejo que findo a poesia sem dizer muita coisa

Apenas uma fresta de minutos

        onde poderia ter preso o teu nome.

Onde poderia ter descrito melhor a métrica.

Mas na minha irreverência inculta

quero apenas um ponto pra findar estas palavras."

 

Jacqueline Torres

 




Escrito por jacquelinelenin às 14h38
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A CASA ( Crônica )

A CASA

(Crônica)

 A casa resiste no progresso da rua. As paredes amarelo-gema têm umidade, e aspecto de esquecidas, assim como o alpendre, as portas escuras, o telhado coberto pela crosta endurecida do lodo... A hera ressequida agarrando-se ao muro, depois desmaiando sem vida, forra o nu das telhas. A mangueira... Tudo parece e é de fato, esquecido. Um esquecimento remoto e inevitável no atropelo do progresso urbano. A casa resiste solitária e calada. No muro, um gato pardo muito magro, lambe-se. Uma janela parece semicerrada. Mas não há fluxo de vida, exceto o vento que decerto corre pelas frestas, pelas gretas escuras das portas roídas, passando pelos vãos. Nada há de lembranças nela. Mas eu não consigo esquecer o desinteresse da casa, seu acanhamento na rua de casas novas. Na rua de asfalto novo. A casa resiste poderosa em minha lembrança. Ela é concreta. Sobrepõe-se as demais, sobrepuja-as por sua relíquia. Quem ela amparou? Que risadas, que lágrimas guardam suas paredes? Que passos, que carreiras infantis seu piso silenciou no vazio dos dias que passam enquanto ela envelhece? Que espíritos de mortos ainda zanzam por seus cômodos vagos? Que espíritos de vivos, além do meu, guardam a sua imagem?

(Jacqueline Torres)                                                     ( 06/04/06 )



Escrito por jacquelinelenin às 15h33
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Garimpo...

" SOMOS ETERNOS CAÇADORES DE NÓS MESMOS, ANDAMOS VIDA AFORA NO NOSSO ENCALÇO E MESMO QUE ISSO NOS CUSTE, É O QUE NOS MANTÉM VIVOS. "

Jacqueline Torres




Escrito por jacquelinelenin às 13h52
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